Um senhor, já vivido, já surrado pelos anos passados, cabelos grisalhos, olhos marejados que foram testemunhas de vários momentos, alguns inesquecíveis e outros bem descartáveis, pernas que já não suportavam o peso do seu corpo, e dores adquiridas com o passar dos anos.
Esse velho senhor, chamado por diversos nomes, vezes Zé, outras Antônio, vezes esquecido, outras achado... estava ali sentado, como alguém que espera alguma coisa, como uma criança que espera a chegada do pai, depois de um dia de trabalho, como um torcedor que espera um gol aos 47 minutos do segundo tempo para que seu time se consagre campeão de um campeonato muito importante.
Estava lá, sereno, paciente, inquieto, pensativo. Todos os dias ele estava lá, com aquela mesma expressão facial, aqueles mesmos gestos que estimulava a curiosidade de todos que por ali passavam. Não importava o tempo, chuva ou sol, não importava a data, Natal ou Ano Novo, estava ele lá, com os dedos passando um em cima do outro, olhando vezes para o céu e outras para seus pés, olhando para o horizonte, talvez olhando para si mesmo.
E a cada dia que presenciava aquela cena, aumentava em mim, a vontade de saber o porque daqueles gestos, qual seria o significado de cada movimento daquele surrado senhor, e se existiria um motivo sensato para que ele lá estivesse todos esses dias.
Então, como um soldado que está a caminho da guerra, com muito medo, porém bastante determinado, fui até aquele misterioso senhor, me sentei ao seu lado, e todos os textos e palavras ensaiados para aquele momento desapareceram, fiquei totalmente sem saber o que dizer, totalmente sem palavras e sem jeito, aí então respirei fundo, olhei para aquele rosto de pele gasta, tentei me acalmar e finalmente lhe fiz a pergunta... senhor, o que faz aqui todos esses dias?
Ele ficou um tempo imóvel, parecendo não acreditar na minha presença naquele lugar, naquela calçada, que a tanto tempo passara só, com apenas seus pensamentos. Então virou para mim, olhou no fundo dos meus olhos e disse a seguinte palavra: “Tudo passa amigo, tudo sempre passará”. E voltou para sua tão misteriosa expressão e aquele mesmo movimento dos dedos.
Fiquei aquela noite acordado intrigado com aquelas palavras, afinal o que seria aquele “tudo passará”. O que ele tentou me passar, será que eu fui tão burro ao ponto de não perceber, e afinal, não era seu amigo. Então no dia seguinte, depois de algumas horas esperando aquele mesmo momento de todos os dias, voltei aquele senhor, sentei do seu lado novamente, e derrepentemente fui surpreendido, não precisei falar nada, não precisei fazer pergunta alguma, ele se virou para mim e disse, tudo passará, o vento passa, você pode sentir? Os carros passam, as chuvas passam, tudo passa meu caro amigo.
E a nossa vida? Ela passa? Não consegui responder aquela pergunta, e involuntariamente levantei os meus ombros como se não estive entendendo nada, e ele prosseguiu... É claro que nossa vida passa, afinal sou prova disso, e é exatamente por esse motivo que não consigo entender algumas atitudes da humanidade, tanto no passado quanto no presente e com certeza continuará no futuro.
Já que tudo passa, e não resta nenhuma dúvida nisso, porque continuamos matando por terra, algo que existe em abundância, porque continuamos passando por cima de pessoas inocentes, simples, para conseguirmos o que buscamos, e acredite a maioria das vezes muito superficial.
Porque matamos para ter um minuto de fama, porque destruímos para termos um segundo de atenção, porque fazemos pais chorarem com as mortes de seus filhos que outrora se escondiam em seus braços quando com medo, porque meu caro amigo, continuamos com essa burrice de manter vivo qualquer tipo de preconceito, seja racial ou de classes, não vale apena sabe, não vale mesmo, e sabe o que é pior? Faço parte disso tudo, eu sou isso tudo.
Esse velho senhor, chamado por diversos nomes, vezes Zé, outras Antônio, vezes esquecido, outras achado... estava ali sentado, como alguém que espera alguma coisa, como uma criança que espera a chegada do pai, depois de um dia de trabalho, como um torcedor que espera um gol aos 47 minutos do segundo tempo para que seu time se consagre campeão de um campeonato muito importante.
Estava lá, sereno, paciente, inquieto, pensativo. Todos os dias ele estava lá, com aquela mesma expressão facial, aqueles mesmos gestos que estimulava a curiosidade de todos que por ali passavam. Não importava o tempo, chuva ou sol, não importava a data, Natal ou Ano Novo, estava ele lá, com os dedos passando um em cima do outro, olhando vezes para o céu e outras para seus pés, olhando para o horizonte, talvez olhando para si mesmo.
E a cada dia que presenciava aquela cena, aumentava em mim, a vontade de saber o porque daqueles gestos, qual seria o significado de cada movimento daquele surrado senhor, e se existiria um motivo sensato para que ele lá estivesse todos esses dias.
Então, como um soldado que está a caminho da guerra, com muito medo, porém bastante determinado, fui até aquele misterioso senhor, me sentei ao seu lado, e todos os textos e palavras ensaiados para aquele momento desapareceram, fiquei totalmente sem saber o que dizer, totalmente sem palavras e sem jeito, aí então respirei fundo, olhei para aquele rosto de pele gasta, tentei me acalmar e finalmente lhe fiz a pergunta... senhor, o que faz aqui todos esses dias?
Ele ficou um tempo imóvel, parecendo não acreditar na minha presença naquele lugar, naquela calçada, que a tanto tempo passara só, com apenas seus pensamentos. Então virou para mim, olhou no fundo dos meus olhos e disse a seguinte palavra: “Tudo passa amigo, tudo sempre passará”. E voltou para sua tão misteriosa expressão e aquele mesmo movimento dos dedos.
Fiquei aquela noite acordado intrigado com aquelas palavras, afinal o que seria aquele “tudo passará”. O que ele tentou me passar, será que eu fui tão burro ao ponto de não perceber, e afinal, não era seu amigo. Então no dia seguinte, depois de algumas horas esperando aquele mesmo momento de todos os dias, voltei aquele senhor, sentei do seu lado novamente, e derrepentemente fui surpreendido, não precisei falar nada, não precisei fazer pergunta alguma, ele se virou para mim e disse, tudo passará, o vento passa, você pode sentir? Os carros passam, as chuvas passam, tudo passa meu caro amigo.
E a nossa vida? Ela passa? Não consegui responder aquela pergunta, e involuntariamente levantei os meus ombros como se não estive entendendo nada, e ele prosseguiu... É claro que nossa vida passa, afinal sou prova disso, e é exatamente por esse motivo que não consigo entender algumas atitudes da humanidade, tanto no passado quanto no presente e com certeza continuará no futuro.
Já que tudo passa, e não resta nenhuma dúvida nisso, porque continuamos matando por terra, algo que existe em abundância, porque continuamos passando por cima de pessoas inocentes, simples, para conseguirmos o que buscamos, e acredite a maioria das vezes muito superficial.
Porque matamos para ter um minuto de fama, porque destruímos para termos um segundo de atenção, porque fazemos pais chorarem com as mortes de seus filhos que outrora se escondiam em seus braços quando com medo, porque meu caro amigo, continuamos com essa burrice de manter vivo qualquer tipo de preconceito, seja racial ou de classes, não vale apena sabe, não vale mesmo, e sabe o que é pior? Faço parte disso tudo, eu sou isso tudo.
Meu grande e caro amigo, ainda não nos apresentamos né? Bem, já tive nomes dos mas diversos... mas hoje faço questão de ser chamado por “VOCÊ”... Muito prazer!

3 comentários:
Gostei do argumento final.
fala vandrão o texto ficou otimo kara, aprece ate q v é jornalista hauahuahuhau abraços
De fato tudo passa, e o que tem passado hoje é o compromisso que temos com a natureza, o amor ao próximo.Fico perplexa em ver pessoas preocupadas com tantas coisas fúteis e reclamando a cada dia mais da violencia e outras coisas, mas não movem sequer um grão de areia em favor de algo ou alguem!
Parabéns meu grande amigo!estou muito feliz, você é fera!
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