segunda-feira, 11 de maio de 2009

A tempos os moradores da Zona Oeste vêm sofrendo com o transporte coletivo e alternativo. Péssimas condições dos ônibus e superlotações são parte desse problema. Um levantamento da Ouvidoria da Secretaria Municipal de Transportes mostra que das dez empresas campeãs de reclamação, cinco circulam pela Zona Oeste.
Entre as empresas que mais se notabilizam com esse aspecto negativo estão a Ocidental e a Oriental. Seus ônibus apresentam janelas com vidros soltos, barulhos, acentos quebrados e sem estofado, causando grande desconforto, além do excesso de passageiros.
Nos três primeiros meses deste ano, 13 ônibus foram apreendidos e 60 multas foram aplicadas à empresa Oriental por mau estado de conservação dos veículos e intervalos excessivos entre um ônibus e outro.
Segundo Felipe Nunes, Design Gráfico, que utiliza a linha S-14 para ir ao centro do Rio trabalhar, é comum os ônibus quebrarem. “A viagem dura em torno de uma hora e meia a duas horas e neste período é super comum ver ônibus quebrados pelo caminho. Só em uma tarde de ida e volta para o centro, vi cinco. Dei sorte de não ter quebrado o que eu estava”. Conta.
Além do aspecto físico do ônibus, para Felipe Nunes o despreparo dos motoristas também influencia para o baixo desempenho do transporte coletivo na Zona Oeste. “Na minha opinião a maioria dos motoristas do Rio de Janeiro são completamente despreparados, e ainda reclamam do baixo salário e as condições dos ônibus em que trabalham”. Afirma.
Uma greve dos rodoviários da Transporte Oriental, no dia 17 de março deste ano, reivindicava além do estado de conservação dos veículos, um maior compromisso da empresa com seus trabalhadores. A paralisação atingiu 13 linhas operadas pela empresa, prejudicando aproximadamente 45 mil passageiros. Devido a essa greve, desde o dia 23 de março as linhas da Oriental estão sendo operadas por outras empresas.
Para tentar fugir desse caos rodoviário, algumas pessoas recorrem aos transportes alternativos as kombis e vans, mas acabam esbarrando em outros problemas, como a ilegalidade e o despreparo dos motoristas.
Tiago Teixeira utiliza a linha Cosmos x Cascadura diariamente. Para ele, os transportes alternativos deveriam ser mais bem tratados pelos políticos. “Talvez um pouco mais de atenção e apoio do governo possa ajudar a diminuir essa ilegalidade”, disse o estudante de Publicidade e Propaganda.
Ainda de acordo com ele, mesmo os transportes sendo legalizados sofreriam com a corrupção dos Policiais Militares. “Eles inventam irregularidades ou simplesmente atrapalham o motorista deixando ele parado por um bom tempo. Ou ele paga propina ou conta com a boa vontade do policial. Normalmente isso acontece mais de madrugada mais a noite do que de dia. Mesmo legalizados os motoristas evitam blitz sempre que possível.”
Para o Fotógrafo Jorge Coelho, o despreparo dos motoristas é o principal problema dos transportes alternativos. Ele que estava fazendo uma caminhada com sua filha na Estrada Cabuçu em Campo Grande, fez uma parada para tirar algumas fotografias da paisagem, e foi atropelado por uma van. “A van estava recolhendo passageiros a uns cinco metros de mim, e ao dar marcha-a-ré para pegar um passageiro que vinha atrás do carro acabou me empurrando me fazendo cair. Por sorte ela parou logo após me tocar”. Conta Jorge.
Ao conversar com o motorista, ele recebeu pedidos de desculpas. “Fui tomar satisfação com o motorista e ele me pediu mil desculpas dizendo que pela van estar cheia, não teve visão pelo vidro traseiro.”

quarta-feira, 25 de março de 2009

Rio Catarino causa transtorno aos moradores de Realengo



A obra de canalização, não terminada, do Rio Catarino em Realengo, para alguns moradores é a principal causa das enchentes no lugar. O projeto inicial da Prefeitura que previa a canalização de 3.275 metros, até o momento, teve apenas 750 metros de obras concluídos. A subsecretaria de Águas Municipais, Rio Águas, informa no site que fez limpeza no curso d´ água nos anos de 2007 e 2008, e que nova manutenção no trecho da Rua Limites está prevista para o ano de 2009.

Marcos Moraes, Presidente da Associação Movimento de Preservação Ambiental de Realengo (AMPARA), vem lutando para mudar esse quadro, conforme disse por e-mail em entrevista ao “Instantâneo”. “A AMPARA surgiu da necessidade de nos organizarmos como instituição, já que o Movimento SOS Rio Catarino criado em 2006 não era formalizado juridicamente”, afirma Marcos. Atualmente a AMPARA está conversando com a nova administração da Prefeitura, que até o momento não tomou nenhuma providência para solucionar os problemas causados pelo rio. Segundo Moraes, a Prefeitura apenas afirma que não há verba para execução dessa obra.

O Movimento SOS Rio Catarino, tem feito seus protestos através de ações no Ministério Público do Meio Ambiente do Estado do Rio. “ Constantemente temos procurado a imprensa e vários vereadores desta e da outra gestão já que a competência dessa problemática é Municipal”, disse Marcos de Moraes também presidente do movimento.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Muito Prazer!

Um senhor, já vivido, já surrado pelos anos passados, cabelos grisalhos, olhos marejados que foram testemunhas de vários momentos, alguns inesquecíveis e outros bem descartáveis, pernas que já não suportavam o peso do seu corpo, e dores adquiridas com o passar dos anos.

Esse velho senhor, chamado por diversos nomes, vezes Zé, outras Antônio, vezes esquecido, outras achado... estava ali sentado, como alguém que espera alguma coisa, como uma criança que espera a chegada do pai, depois de um dia de trabalho, como um torcedor que espera um gol aos 47 minutos do segundo tempo para que seu time se consagre campeão de um campeonato muito importante.

Estava lá, sereno, paciente, inquieto, pensativo. Todos os dias ele estava lá, com aquela mesma expressão facial, aqueles mesmos gestos que estimulava a curiosidade de todos que por ali passavam. Não importava o tempo, chuva ou sol, não importava a data, Natal ou Ano Novo, estava ele lá, com os dedos passando um em cima do outro, olhando vezes para o céu e outras para seus pés, olhando para o horizonte, talvez olhando para si mesmo.

E a cada dia que presenciava aquela cena, aumentava em mim, a vontade de saber o porque daqueles gestos, qual seria o significado de cada movimento daquele surrado senhor, e se existiria um motivo sensato para que ele lá estivesse todos esses dias.

Então, como um soldado que está a caminho da guerra, com muito medo, porém bastante determinado, fui até aquele misterioso senhor, me sentei ao seu lado, e todos os textos e palavras ensaiados para aquele momento desapareceram, fiquei totalmente sem saber o que dizer, totalmente sem palavras e sem jeito, aí então respirei fundo, olhei para aquele rosto de pele gasta, tentei me acalmar e finalmente lhe fiz a pergunta... senhor, o que faz aqui todos esses dias?

Ele ficou um tempo imóvel, parecendo não acreditar na minha presença naquele lugar, naquela calçada, que a tanto tempo passara só, com apenas seus pensamentos. Então virou para mim, olhou no fundo dos meus olhos e disse a seguinte palavra: “Tudo passa amigo, tudo sempre passará”. E voltou para sua tão misteriosa expressão e aquele mesmo movimento dos dedos.

Fiquei aquela noite acordado intrigado com aquelas palavras, afinal o que seria aquele “tudo passará”. O que ele tentou me passar, será que eu fui tão burro ao ponto de não perceber, e afinal, não era seu amigo. Então no dia seguinte, depois de algumas horas esperando aquele mesmo momento de todos os dias, voltei aquele senhor, sentei do seu lado novamente, e derrepentemente fui surpreendido, não precisei falar nada, não precisei fazer pergunta alguma, ele se virou para mim e disse, tudo passará, o vento passa, você pode sentir? Os carros passam, as chuvas passam, tudo passa meu caro amigo.

E a nossa vida? Ela passa? Não consegui responder aquela pergunta, e involuntariamente levantei os meus ombros como se não estive entendendo nada, e ele prosseguiu... É claro que nossa vida passa, afinal sou prova disso, e é exatamente por esse motivo que não consigo entender algumas atitudes da humanidade, tanto no passado quanto no presente e com certeza continuará no futuro.

Já que tudo passa, e não resta nenhuma dúvida nisso, porque continuamos matando por terra, algo que existe em abundância, porque continuamos passando por cima de pessoas inocentes, simples, para conseguirmos o que buscamos, e acredite a maioria das vezes muito superficial.

Porque matamos para ter um minuto de fama, porque destruímos para termos um segundo de atenção, porque fazemos pais chorarem com as mortes de seus filhos que outrora se escondiam em seus braços quando com medo, porque meu caro amigo, continuamos com essa burrice de manter vivo qualquer tipo de preconceito, seja racial ou de classes, não vale apena sabe, não vale mesmo, e sabe o que é pior? Faço parte disso tudo, eu sou isso tudo.

Meu grande e caro amigo, ainda não nos apresentamos né? Bem, já tive nomes dos mas diversos... mas hoje faço questão de ser chamado por “VOCÊ”... Muito prazer!

terça-feira, 15 de julho de 2008

Independente de praticar, tornar possível o “País da Igualdade”

Como não gostar de algo que acaba, ou temporariamente interrompe guerras civis, mesmo que aparentemente possa ser impossível?Como não gostar de um evento que não se importa com sua etnia, raça, cor, que move multidões de pessoas com personalidades, gostos, costumes diferentes, apenas pelo amor.
Seja Natação, Atletismo, Automobilismo, Vôlei, Basquete ou Futebol. Como não se apaixonar pelo esporte? Não digo apenas quando se pratica ou apenas se acompanha. Digo por ser uma das poucas oportunidades que se faz possível o desenvolvimento social no Brasil, mudando a realidade de várias, inicialmente crianças, que vivem em meio a miséria e violência.
Muitos jovens se drogam para fugir da crueldade da vida, da realidade que está a mostra, mas mesmo assim , muitos ainda fazem questão de não enxergar. Fingem estar tudo bem. Vão até mais longe, acreditando que um dia Brasil será considerado desenvolvido, contentando-se assim em ser conhecido como "país da malandragem". Mostrados apenas pelo samba, favelas, pobreza...
Como não admirar alguns atletas, que em meio a dificuldades oriundas das mais diversas desigualdades sociais, se tornam ídolos de uma nação . Eles que poderiam estar nas ruas, no tráfico, ou ficar dependente de alguma mazela do cotidiano, se tornam formadores de opinião e exemplo nacional.
Qual cidadão brasileiro que não conheceu ou conhece Ayrton Senna, Garrincha, Pelé? Atualmente podemos citar Gustavo Kuerten, Ronaldinho Gaúcho, Romário... Muitos deles possuem histórias incríveis que vão além das vitórias nas modalidades esportivas a que pertencem.
Como não gostar da única possível solução do país, solitária esperança de que nossas crianças, tenham uma educação digna, motivada e bem estruturada ! Aprendendo assim que as diferenças não os tornam melhores ou piores que os outros, que competitividade não é agressividade e, que principalmente respeitar o próximo não é uma obrigação, e sim uma satisfação de saber que alguém, mesmo que não seja você conseguiu alcançar seu objetivo. O ensinamento vai além das quadras.
Quem sabe assim, quando o esporte se tornar opção prioritária juntamente com a educação para os governantes , possamos ser conhecidos como o "País da Igualdade"...

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Sonho de Jogador

Quando somos crianças, nos tornamos alvos de várias perguntas, e a mais proferida é, o que você quer ser quando crescer? Qual a mãe, pai, ou tia que nunca perguntou isso ao filho? E a criança, ou adolescente por sua vez, coloca-se no direito de sonhar e, acreditar que um dia, em meio a tantas profissões poderá ser aquilo que quiser. E se a resposta dessa criança ou adolescente for, jogador de futebol? Se essa criança tiver vontade, mesmo com muito esforço e dificuldade, algum dia ela poderá alcançar o glamour de jogadores consagrados como Cristiano Ronaldo, Káká entre outros.
Com a criança, uma expectativa. Acreditar que fará aquele gol salvador no último minuto com o maracanã lotado de espectadores apaixonados, com milhares de pessoas gritando seu nome e, entrando assim para história de um clube. Afinal de contas como já dizia a música do Skank... "Quem não sonhou em ser um jogador de futebol?".
Porém a realidade dos jogadores de futebol é bem diferente que muitos imaginam, pois o futebol também tem seus problemas e desigualdades. Muitos jovens por tentar viver seus sonhos, deixam tudo para trás. Param de estudar, largam suas famílias, vão para outros países, que na maioria das vezes são totalmente defasados, para alcançar seus objetivos. E quando esses objetivos não são alcançados? O que fazem esses jovens, com o estudo incompleto, sem nenhuma experiência, que não seja dentro de campo? Há ainda aqueles que conseguem se tornar jogadores profissionais, mas depois de conseguir esta façanha, entra uma outra questão. Qual é o clube que ele joga?Só no Estado do Rio de Janeiro existem 171 clubes de futebol diferentes, entre os considerados "Pequenos", porém que fazem parte da história no futebol brasileiro. Entre eles podemos citar alguns como, América Futebol Clube, Bangu Atlético Clube, São Cristóvão de Futebol e Regata. Mas isso não acontece só no Rio de Janeiro e sim em todo o Brasil.Muitos desses pequenos clubes passam por grande dificuldade financeira, e consequentemente não pagam salários bons para seus atletas. De acordo com a CBF (Confederação Brasileira de Futebol), 80 por cento dos jogadores profissionais no Brasil ganham menos de dois salários mínimos. Quinze por cento deles estão desempregados e os cinco por cento restante ganha acima de R$ 830,00.A realidade do futebol Brasileiro acompanha a realidade do País. Poucos concentram grande parte de dinheiro e recursos, e a maioria vive com muito pouco.